Dicas para evitar o nervosismo em situações de exposição

O curitibano Fábio Luigi Giovanni, de 29 anos, escolheu seguir a profissão de geólogo, mas quando optou por isso não imaginava que um dia precisaria dar aulas sobre o assunto. A tarefa parece fácil para qualquer profissional da área, mas para ele foi um problema gigantesto. O paranaense tem medo de falar em público e atualmente faz tratamento psicológico para vencer essa barreira.

A partir desta segunda-feira (9), até quinta-feira (12), o G1 Paraná e o Paraná TV 1ª edição exibem a série ‘Medo: vai encarar?’ . As reportagens serão exibidas na seguinte ordem: medo de falar em público, medo de nadar, medo de dirigir e medo da violência.

“Eu percebi que eu tinha esse medo da exposição quando eu ia apresentar trabalhos na escola. Eu sempre travava, achava que estava falando mal, que a minha dicção era ruim e isso me bloqueava. Eu começava a suar, o coração acelerava (…). E essas experiências sempre me fizeram ter aversão a querer apresentar alguma coisa”, explica Fábio.

Segundo a psicóloga do Centro de Psicologia Especializado em Medos (CPEM) Neuza Corassa, uma das características das pessoas que têm medo de falar em público é que elas acham que estão sendo julgadas, e de maneira negativa, a todo momento.

“Esse tipo de pessoa perde muito porque não consegue ser independente. Sempre depende de alguém e nunca consegue expor as suas próprias opiniões”, argumenta a especialista.

Fábio decidiu buscar tratamento em 2007, na época em que fazia cursinhos pré-vestibular. Segundo ele, foi quando percebeu que a situação estava fora do controle, não somente pelo medo de falar em público, mas por outras fobias que foram se desenvolvendo por conta da timidez.

Ao buscar um psiquiatra, o jovem foi diagnosticado com com síndrome do pânico. O tratamento, feito à base de remédios, durou dois anos.

Fábio se viu em apuros quando precisou encarar os alunos da sala de aula  (Foto: Reprodução/RPC)Fábio se viu em apuros quando precisou encarar os alunos da sala de aula  (Foto: Reprodução/RPC)

Fábio se viu em apuros quando precisou encarar os alunos da sala de aula (Foto: Reprodução/RPC)

Em meio a esse período, Fábio explicou que tentou interromper os remédios porque achou que já tinha melhorado, mas, como os sintomas eram recorrentes, ele precisou voltar a tomar os medicamentos. Isso ocorreu logo no início da faculdade.

Por conta da timidez, o professor contou que perdeu várias oportunidades de se destacar na carreira. Uma delas foi quando não aceitou uma oportunidade de dar uma entrevista a repórteres de televisão sobre um terremoto que ocorreu no Chile, em 2015.

“Eu me arrependo porque acho que teria sido uma ótima oportunidade de mostrar o meu trabalho porque eu tinha pleno domínio do assunto e, inclusive de enfrentar o medo de exposição”, desabafou.

Atualmente, o geólogo também faz sessões de terapia com uma psicóloga e toma um medicamento para ansiedade. Ele considera que já melhorou muito em relação ao início do tratamento e se surpreendeu com ele mesmo. Tanto que, o que antes era um pesadelo, agora se tornou um objetivo.

“Daqui pra frente eu pretendo seguir na área da docência, foi a área que eu me encontrei. Eu pretendo ficar cada vez melhor nisso e falando bastante para todo mundo que quiser me ouvir”, comemorou o professor.

Timidez e o sonho de ser advogada

Roseli venceu o medo de falar em público e conseguiu se formar em direito  (Foto: Reprodução)

Roseli venceu o medo de falar em público e conseguiu se formar em direito (Foto: Reprodução)

Roseli Rolinsk Correa Adriano Rocha também precisou de tratamento psicológico para perder o medo de falar em público. Ela descobriu a fobia na época da adolescência, aos 15 anos, quando precisou fazer uma apresentação no colégio.

“Foi uma situação que me deixou muito infeliz na época, mais traumatizada ainda. Nós tínhamos que apresentar uma pessoa que ia fazer uma palestra no colégio e eu fui uma das pessoas escolhidas para apresentar essa pessoa. Eu não falei nada, esqueci o nome, esqueci tudo. Me deu uma tremedeira, um suador (…)”, explicou.

A partir desse momento, Roseli contou que começou a evitar situações de exposição. Isso durou até a época da faculdade.

Roseli conseguiu se formar em letras, mas não se identificou. O sonho dela mesmo era ser uma advogada. Foi então que a paranaense também decidiu enfrentar a fobia e buscou um tratamento psicológico.

“Eu liguei para a psicóloga e disse que tinha passado no curso de direito, mas que eu me considerava uma fraude porque eu tinha muito medo de falar em público. Eu expliquei que eu precisava de ajuda para poder enfrentar o curso”, contou.

Roseli fez várias sessões de terapia e exercícios práticos de leitura em uma igreja, na capital, para testar o enfrentamento de falar para um grande público. “Foram várias semanas, eu tive que me esforçar muito, mas deu certo”, comemorou. “Quando eu recebi alta, eu me senti uma menina, pulando e festejando”, lembrou.

Depois do tratamento, Roseli conseguiu se formar e seguir em frente na profissão. No dia a dia, algumas situações de timidez ainda aparecem, mas, segundo ela, tudo é uma questão de domínio e aprendizado.

Roseli superou o medo depois de fazer tratamento psicológico  (Foto: Reprodução/RPC)

Roseli superou o medo depois de fazer tratamento psicológico (Foto: Reprodução/RPC)

Dicas para falar em público

Para a fonoaudióloga Cida Stier, que atua há 30 anos na área de comunicação e voz profissional, a melhor forma de perder o medo de falar em público é aproveitar todas as oportunidades do dia a dia de exposição. Mesmo que seja uma simples apresentação na portaria de um prédio, exemplificou.

“O medo de falar está muito relacionado ao sentimento de não conseguir dar conta de um determinado momento. Com isso, todos os sintomas aparecem ao mesmo tempo como frio na barriga, mãos suadas, garganta seca, entre outros. E todos esses sintomas ao mesmo tempo fazem com que a pessoa perca a concentração sobre o assunto e passe a focar nela mesma”, detalha Cida.

http://g1.globo.com/pr/parana/videos/v/veja-dicas-para-evitar-o-nervosismo-ao-falar-em-publico/6204140/
FONTE: https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/eu-comecava-a-suar-e-o-coracao-acelerava-diz-professor-que-tenta-vencer-o-medo-de-falar-em-publico.ghtml?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=g1pr

Por Adriana Justi, Luciana Grande e Weliton Martins*, G1 PR e RPC, Curitiba

*Colaboraram: Gil Bermudes, Dirceu de Souza e Paulo Kreling.